Trackball: Um pouco de nossa história – Parte 1

By | 03/12/2008


Por volta de 1994 eu ganhei meu primeiro computador, um incrível 486 DX2, processador da Cyrix de inacreditáveis 66MHz ! E ainda vinha equipado com o assombrosos 8 megas de RAM. A placa de vídeo, uma Trident 9400 Vesa Local Bus (VLB). E de brinde, um jogo de capas e um mouse.

Era a época do Doom, pós Wolfenstein 3D e Windows 3.1 e da Sound Blaster 16, com barramento ISA. E é claro, da era de ouro floppy disk. Reparem que eu pulei aqueles discos de 5.25, que teimavam em estragar facilmente, pois eram facilmente amassados.

Agora que vocês já conhecem um pouco desse distante passado, posso começar a narrar sobre minha história com trackballs e como eu, passados todos esses anos, não troco por mouse algum, meu trackball.

Uma das características dos mouses daquela época, era o uso de uma esfera em na parte de baixo. Ao empurrar o mouse, a esfera girava e sensores “liam” os pequenos rolamentos, enviando as informações via porta serial (sim, COM1). Algo simples, que quando funcionava, permitia utilizar todo o poder dos 16 bits do Windows 3.1.

Antigo Mouse de Rolamento da Logitech

Antigo Mouse de Rolamento da Logitech

Observem a foto: O rolamento a que eu me refiro é o “Spring”.  E existem mais dois deles, o X e Y axis, que são os responsáveis pelo movimento vertical e horizontal.

O problema é que esse rolamento pegava sujeira muito facilmente. Qualquer poeira grudava e começava a emperra-lo, fazendo o ponteiro do mouse dar saltos na tela. A limpeza dessas pecinhas era problemática, pois como vocês já devem ter imaginado, esses mouses que eram dados de brinde eram extremamente vagabundos. Por isso, quando a limpeza era realizada, tínhamos que praticamente raspar aquela superfície, pois a poeira ia endurecendo. Não havia álcool, normal ou isopropílico, que desse resultado.

Enfim, um belo dia eu estava de saco cheio do mouse e resolví dar uma volta. Não, deixa eu falar a verdade… Eu morava perto de uma lojinha que vendia jogos em disquete. Toda semana eu ia lá comprar algum jogo novo. Eles gravavam na hora e tinham um bom acervo, contanto inclusive com jogos para MSX 1 e 2. Sim, eu já tive um MSX.


Então, enquanto eu estava indo para essa loja, eu passei em frente a uma lojinha de informática e comecei a olhar a vitrine para ver se tinha algum mouse barato. Ao olhar os produtos, me chamou a atenção um dispositivo meio retângular, escondido em um canto da virtrine, um trackball. Hoje eu penso que foi algo incrível o que aconteceu naquele dia. Vejam só, em pleno 1995, onde mal havia internet comercial ( provedores de internet, como o UOL, AOL ainda estavam engatinhando – se não me falha a memória), uma lojinha de subúrbio ousava vender um trackball. E ainda era da Logitech!

Trackball Logitech First Trackball

Trackball Logitech First Trackball - - Foto Exclusiva do Blog do Léo - Não achei foto alguma deste trackball em todo Google Images

Naquela época eu já tinha acesso a internet graças ao meu irmão. Esse mala estava fazendo mestrado em química no Instituto Militar de Engenhara (IME) e lá eles forneciam um login e password para que seus alunos pudessem realizar pesquisas no conforto do lar. Era a época do Trumpet Winsock.

Voltando ao assunto, durante algumas madrugadas, eu tive a oportunidade de ler alguns textos sobre essa invenção chamada Trackball. E eu simpatizei com a idéia e as vantagens apresentadas. Por isso, quando eu ví aquele trackball sendo vendido, não tive dúvidas, entrei na loja e o comprei. Nem passei naquela loja para gravar algum jogo, até porquê tive que voltar a pé…

Me lembro como se fosse hoje: cheguei em casa, corrí para o quarto, arranquei o mouse e o joguei no chão. Abrí a caixa do meu novo trackball e retirei aquele lindo exemplar de hardware bem fabricado. Pluguei-o na COM1 e liguei o micro. Alguns segundos depois, a seta do mouse se movia sem o menor problema no Windows 3.1 . Era o máximo. Sai do Windows e carreguei um jogo. Era o Última Underworld II – Labyrinth of the Worlds. Quando comecei a jogá-lo, foi uma experiência… terrível.

O Trackball, o manual e o disco de drivers. Acreditam que o Mouseware cabia em um disquete ?

O Trackball, o manual e o disco de drivers. Acreditam que o Mouseware cabia em um disquete ?

Como vocês devem ter visto, o trackball nada mais é do que um mouse invertido, ou seja, a esfera fica para cima, e ao invés de mover o trackball, a gente rola a esfera com a mão. Nas primeiras horas de uso é algo complicado, pois devemos nos habiturar a mover a esfera com a mão.

Após algumas horas de adaptação, eu finalmente conseguí domar aquele pequeno hardware. E aí, meus caros amigos, foi só festa. Foram meses sem precisar limpar e sem o menor problema. Eu passei a contar com uma ótima precisão e uma agilidade extraordinária. Basta dizer que nunca mais eu colidí o mouse com o teclado em um momento de desespero no jogo Doom.

Passaram-se alguns meses e chegou a hora de limpá-lo. Para isso, bastava desparafusar 4 parafusos na base, que fariam com que a parte superior se soltasse. Dessa forma, eu poderia remover a esfera e teria livre acesso aos rolamentos. Estes, para minha surpresa, eram delicados, mas de fácil limpeza. O que eu mais problema era o excesso de pêlo que estava impedindo que o rolamento, rolasse. Mas nada que uma pinça e alguma paciência não resolvesse.

Não percam na Parte 2: Após alguns anos de muita felicidade, eu encontro nas lojas Americanas, um novo trackball.

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